Blog da Profa. Arlete Meneguette


 
 

Métodos de Representação da Cartografia Temática

Os mapas temáticos podem ser construídos levando em conta vários métodos, cada um apropriado às características e forma de manifestação (em pontos, linhas e áreas) dos fenômenos considerados em cada tema. Martinelli (2003a) comenta que também pode-se empreender uma apreciação do ponto de vista estático ou dinâmico.

1. Representação Qualitativa

A Representação Qualitativa é empregada para mostrar a presença, a localização e a extensão das ocorrências dos fenômenos que se diferenciam pela sua natureza e tipo, podendo ser classificados por critérios estabelecidos pelas ciências que estudam tais fenômenos, segundo Martinelli (2003a).
Conforme os fenômenos se manifestam em pontos, linhas ou áreas, no mapa utiliza-se, respectivamente, pontos, linhas e áreas. Esses mapas são os mais difundidos e constituem o primeiro momento básico de um registro espacial para uma pesquisa. Para resolver um mapa qualitativo é necessário buscar a variação visual com propriedade perceptiva compatível com a diversidade: a seletividade visual. A variação visual tem que ser seletiva. O mapa resultará exaustivo, dispondo todos os atributos sobre o mesmo mapa.
Ele responde visualmente  apenas a questões em nível elementar: “o que há em tal lugar?”.
Se o usuário desejar conhecer a organização espacial do conjunto, será obrigado a fazer uma leitura em nível elementar, isto é, de ponto a ponto, até memorizar seletivamente as imagens individuais que cada rubrica da classificação constrói e guardá-las em seu cerébro, enfatiza Martinelli (2003b).

Martinelli (2003a) observa que na manifestação pontual dá-se preferência a variação de forma ou de orientação.
Para facilitar a memorização dos signos, principalmente nos mapas para leigos e crianças, pode-se explorar a analogia entre sua forma e o que eles representam. São os símbolos evocativos ou icônicos.
Segundo Bos (1984), de acordo com a forma os símbolos cartográficos são comumente agrupados em 3 categorias principais:

a)
 Símbolos Pictóricos ou Descritivos: são símbolos que de um modo realista ou simplificado, estilizado, representam o que devem significar.


Símbolos Pictóricos
Fonte: Bos (1984)

b) Símbolos Geométricos ou Abstratos: possuem forma regular tal como um círculo, um quadrado, um triângulo, um hexágono etc.

Símbolos Geométricos
Fonte: Bos (1984)

c) Símbolos Alfanuméricos: são aqueles compostos de letras e números. São, na maioria, fáceis de entender e de produzir; a legibilidade pode ser afetada por outro texto no mapa; a qualidade da localização nem sempre é boa.


Símbolos Alfanuméricos
Fonte: Martinelli (2003a)

Na manifestação linear, Martinelli (2003) comenta que convém usar basicamente a variação de forma:

Fonte: Martinelli (2003a)


Na manifestação zonal, o procedimento para construção da representação, classicamente tem o nome de método corocromático. Martinelli (2003) considera que a cor tem maior eficácia. Na impossibilidade de se poder contar com a cor, deve-se empregar texturas diferenciadas compostas por elementos pontuais ou lineares, do mesmo valor visual (uma textura não pode ficar mais escura que a outra).


 
Fonte: http://www4.fct.unesp.br/nera/atlas/index.htm

2. Representação Ordenada

A Representação Ordenada é indicada quando os fenômenos admitem uma classificação segundo uma ordem, com categorias deduzidas de interpretações qualitativas, quantitativas ou de datações. Conforme os fenômenos se manifestam em pontos, linhas ou áreas no mapa, utiliza-se respectivamente pontos, linhas e áreas, que terão uma variação visual com propriedade perceptiva compatível com a ordenação: a ordem visual. Deve-se, pois, usar o valor, alerta Martinelli (2003a).

Pode-se também explorar a ordem visual entre as cores, organizando-as das mais claras para as mais escuras, seja entre as cores quentes, seja entre as cores frias:

3. Representação Quantitativa

A Representação Quantitativa em mapas é empregada para evidenciar a relação de proporcionalidade entre objetos, junto à realidade sendo entendida como de quantidades. Martinelli (2003a) considera que tal relação deve ser transcrita por uma relação visual de mesma natureza. A única variável visual que transcreve fielmente esta noção é a tamanho.
Conforme os fenômenos se manifestam em pontos, linhas ou áreas, no mapa utiliza-se, respectivamente, pontos, linhas e áreas que terão uma variação com propriedade perceptiva compatível com a proporcionalidade: a proporcionalidade visual. Martinelli (2003a) comenta que na manifestação pontual modula-se o tamanho do local de ocorrência. Esta solução é ideal para representação de fenômenos localizados com efetivos elevados, como é o caso da população urbana.
O tamanho de uma forma escolhida (o círculo, por exemplo) é proporcional à intensidade da ocorrência em valores absolutos.
Para resolver esta representação aplica-se o Método das Figuras Geométricas Proporcionais.
As áreas das figuras serão proporcionais às quantidades a serem representadas.
Na manifestação linear varia-se a espessura da linha proporcionalmente à intensidade do fenômeno. Dessa maneira pode-se representar a intensidade de fluxo entre dois pontos. Pela capacidade de mostrar movimentos no espaço esta quantificação pode ser feita pela Representação Dinâmica.
Na manifestação zonal Martinelli (2003) lista diversos métodos de representação:


- Método das Figuras Geométricas Proporcionais: considera o tamanho de uma figura geométrica proporcional à quantidade a ser representada, que será colocada no centro da área de ocorrência. Este método é ideal para a representação de valores absolutos, como a população dos Estados Brasileiros.

Fonte: http://www4.fct.unesp.br/nera/atlas/index.htm

O círculo pode ser subdividido em setores proporcionais às parcelas que compõem os totais.

Fonte: http://www4.fct.unesp.br/nera/atlas/index.htm


- Método dos Pontos de Contagem: considera um número de pontos iguais, proporcional à quantidade a ser representada, distribuídos adequadamente na área de ocorrência. Este método é ideal para a representação de fenômenos com um padrão de distribuição disperso, como é o caso da população rural.

- Método Coroplético: considera que a ordem das quantidades (em valores relativos) agrupadas em classes significativas, seja transcrita por uma ordem visual, que será lançada nas respectivas áreas de ocorrência. Este método é adequado para a representação de valores relativos, como a densidade demográfica.

Fonte: http://www4.fct.unesp.br/nera/atlas/index.htm

- Método Isarítmico: considera o traçado das linhas de igual valor (as isolinhas) unindo pontos de igual valor da intensidade do fenômeno. Este método convém para a representação de fenômenos com continuidade espacial, como o caso das chuvas, das temperaturas e das altitudes do relevo.

Fonte: http://www4.fct.unesp.br/nera/atlas/index.htm


4. Representação Dinâmica

A Representação Dinâmica, do ponto de vista metodológico, constitui ainda hoje um grande desafio para a Cartografia, afirma Martinelli (2003b). Pode-se dizer que se trata de uma busca consciente em prol da sistematização de uma Cartografia Dinâmica.
Atualmente, o termo Cartografia Dinâmica refere-se especificamente ao processamento interativo da informação espacial, com a respectiva visualização, possível em tempo real, dos frutos dos grandes avanços tecnológicos envolvendo a Geomática. A animação também possibilita a apreciação do dinamismo dos fenômenos, detectando processos no tempo e no espaço. A tecnologia da realidade virtual, por sua vez, oferece promissoras perspectivas.
Martinelli (2003b) enfatiza que o dinamismo dos fenômenos pode ser apreciado no tempo e no espaço. No tempo, ele se traduz pelas transformações de estados que se sucedem cronologicamente ou pelas variações quantitativas (acréscimos, estabilidade, decréscimos) dos fenômenos para um mesmo lugar. No espaço, o dinamismo dos fenômenos manifesta-se por meio de movimentos, deslocando quantidades ao longo de percursos, durante um período de tempo. Estes deslocamentos podem ser de pessoas, de bens, capitais e informações.
Dentre as possíveis maneiras de realizar a representação dinâmica de movimentos no espaço, Martinelli (2003b) destaca o Método dos Fluxos. A organização de um mapa de fluxos necessita dos dados que significam as quantidades deslocadas e uma base cartográfica, com o registro e identificação dos pontos de partida, chegada e percurso, bem como os respectivos pontos de coleta dos dados. O mapa resulta em um articulação de flechas seguindo roteiros estipulados.
A intensidade do fenômeno será transcrita pela espessura do corpo da flecha, numa escala de proporcionalidade tal que:
1mm -> N
onde N é um valor unitário dado numa unidade de tempo (minuto, hora, dia, mês, ano). Trata-se, portanto, da mobilização da variável tamanho em implantação linear. A direção é  dada pela trajetória de apoio. O sentido é fornecido pela indicação origem-destino, inerente à própria flecha. Sua espessura aceita subdivisões proporcionais aos componentes do total movimentado, especificado seletivamente.
Quando os dados dos fluxos são integrados, isto é, computados nos dois sentidos, Martinelli (2003b) ressalta que as flechas tornam-se faixas sem ponta, podendo contar com um acabamento retangular nas extremidades tangentes aos nós da rede de ligações.
Pelo fato de mobilizar a variável visual tamanho, o mapa de fluxo oferece resposta visual fácil aos dois níveis de questõeos a ele colocadas:
Em nível elementar: “qual a intensidade do fluxo em tal trecho?”;
Em nível de conjunto: “como se articulam no espaço?”.
Com isso, pode-se identificar se há formação de pólos e controlar como se estrutura a rede de interligações e relacionamento; se há um único sistema ou vários independentes, separados por possíveis barreiras físicas, políticas, econômicas, ideológicas de diferentes graus de permeabilidade. Pode-se verificar, também, se aparecem eixos preferenciais e se estes se definem mediante fluxos de maior intensidade.

Fonte: http://www4.fct.unesp.br/nera/atlas/index.htm

Martinelli (2003) comenta que estes mapas podem também dar a idéia do relacionamento entre pares de terminais de fluxos, que podem ser cidades, colocando-as na categoria de dominantes, quando seus maiores fluxos dirigem-se a cidades menores; e de subordinadas quando seus fluxos mais intensos demandam um centro maior. No conjunto de cidades de um território é possível detectar sua organização regional.
Ao se tratar de movimentos, muitas vezes interessa o tempo gasto para cumprir determinado percurso. Conhecidos os caminhos a serem percorridos pelo meio de transporte e os pontos atingidos em intervalos iguais de tempo, pela aplicação do método isarítmico, constróem-se isócronas. O mapa resultante é chamado de isocrônico e pode ser utilizado, por exemplo, no planejamento de novos conjuntos habitacionais e da instalação de um adequado sistema de transportes públicos.
Martinelli (2003) considera que a representação por isócronas coloca também em evidência a acessibilidade, isto é, o grau de relativa facilidade ou dificuldade com que certo lugar pode ser alcançado. Por seu turno, a representação dos movimentos mediante a espessura das flechas pode indicar a interação, isto é, o grau de maior ou menor relacionamento entre lugares.


Referências Bibliográficas:

BOCHICCHIO, V. R. Manual de cartografia. Atlas Atual Geografia. São Paulo: Atual. 1993.
BOS, E. S. Cartographic symbol design. ITC, The Netherlands. 1984.
DENT, B.D. Cartography: thematic map design. WCB, USA. 1993.
GONZALEZ, R. C.; WOODS, R. E. Processamento de imagens digitais, Edgar Blucher, 2002.
IBGE. Noções básicas de cartografia. Rio de Janeiro: IBGE, 1999. 44 p.
ICA (International Cartographic Association). Multilingual dictionary of technical terms in cartography. Viesbaden: Franz Steiner Verlag, 1973.
MALING, D. H. Measurements from maps. Oxford: Pergamon Press, 1989.
MARTINELLI, M. Curso de cartografia temática.  Contexto, São Paulo, 1991.
MARTINELLI, M. Cartografia temática: caderno de mapas. SÃO PAULO: EDUSP. 2003a.
MARTINELLI, M. Mapas da geografia e cartografia temática. São Paulo: Contexto. 2003b.
OLIVEIRA, C. Curso de cartografia moderna. R. Janeiro, IBGE, 2a. ed., 1993.

 



Categoria: Cartografia Temática
Escrito por arletemeneguette às 08h06
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Síntese do III Simpósio

 

O III Simpósio do Projeto de Empreendedorismo "Fundo de Vale da FCT/Unesp" foi realizado no dia 03/06/2009, das 14:00 às 16:00, no Anfiteatro 5 do Bloco de Aulas 5. Após a abertura do evento foram feitas as apresentações dos empreendedores:

Empresa Junior de Engenharia Cartográfica
Diretor Executivo: Pablo Henrique Souza Galhardo
Diretor Administrativo: Pedro Willian Guedes Bretas Gonçalves
Coordenador: Mauro Ishikawa (Departamento de Cartografia)
- Levantamento e Mapeamento Planialtimétrico do Fundo de Vale da FCT UNESP e adjacências

Empresas virtuais de Engenharia Ambiental:
CORAU, ECOMAPS, GAIA, PRESERVE, SEA
Coordenadora: Arlete Meneguette (Departamento de Cartografia)
- Uso e cobertura da terra no fundo de vale da FCT/UNESP (de 1977 a 2009)
- Cercamento existente na FCT/Unesp e cercamento proposto para o canal
- Vegetação remanescente na área do fundo de vale da FCT/UNESP (em 26 de maio de 2009) e recomendações para cobertura vegetal

Empresas virtuais de Arquitetura e Urbanismo:
Arquitetura e Representação, Artigas, CMRC, Patech
Coordenadora: Arlete Meneguette (Departamento de Cartografia)
- Pista de Caminhada: elemento integrador do parque linear
- Sistema Viário: vias e passeios públicos
- Proposta de Iluminação Pública para o parque linear

Empresa Junior de Estatística
Equipe de Planejamento: Ana Cláudia, Beatriz, Fábio e Lívia.
Equipe de Campo: Ana Cláudia, Beatriz, Fábio, Gleison, Lívia, Michel, Paola, Paulo Ricardo, Renata e  Rodolfo.
Coordenador: Mário Hissamitsu Tarumoto (Departamento de Matemática, Estatística e Computação)
- Pesquisa de opinião visando levantar o perfil, as expectativas e anseios dos moradores da região e avaliar a percepção dos moradores em relação ao estado atual do Fundo de Vale.

Em seguida foi formada a mesa com algumas das autoridades presentes:

a) Fernando Luizari Gomes - Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo

b) Laércio Batista de Alcântara - Secretaria Municipal de Planejamento, Desenvolvimento Urbano e Habitação

c) Fortunato D´Antonio Ronchi (Natinho) - Secretaria Municipal de Esportes

d) Luis Fernando de Jesus Tavares - Secretaria Estadual de Meio Ambiente

e) Ruth Kunzli - Decana da FCT/Unesp e Coordenadora da Semana do Meio Ambiente

Durante o debate foi possível constatar que o Projeto de Empreendedorismo extrapolou as expectativas iniciais e que novas oportunidades estão surgindo para que os estudantes da FCT/Unesp possam contribuir em outros projetos em andamento em Presidente Prudente.

Para encerrar o evento foi feito o plantio de mudas de árvores nativas na Área de Preservação Ambiental do lago da FCT/Unesp.

 



Categoria: Empresas Virtuais
Escrito por arletemeneguette às 21h54
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